ELASTOGRAFIA DA TIREOIDE E FÍGADO
🟦 1) ELASTOGRAFIA DA TIREOIDE
📌 1️⃣ PRINCIPAIS INDICAÇÕES
✔ Complementar avaliação de nódulos (junto ao TI-RADS, não substitui)
✔ Diferenciação adicional benigno vs suspeito (quando disponível)
✔ Seguimento de nódulos selecionados
✔ Avaliação em tireoidites (uso mais limitado; interpretação cuidadosa)
📌 2️⃣ MODALIDADES (o que você pode ter no aparelho)
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Strain elastography (SE): deformação por compressão (qualitativa/semicuantitativa; “strain ratio”)
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Shear Wave Elastography (SWE): mede rigidez em kPa e/ou m/s (pSWE ou 2D-SWE)
🎯 Padrão IPUS: registrar qual modalidade foi usada (SE vs SWE).
📌 3️⃣ PREPARO E TÉCNICA
✔ Transdutor linear 10–18 MHz
✔ Paciente em decúbito dorsal, pescoço estendido
✔ Gel abundante
✔ Mínima compressão (principalmente em SWE)
✔ Evitar deglutição e fala durante aquisição
✔ ROI sempre bem posicionada, sem encostar em traqueia/calcificações quando possível
🧠 Dica: em SWE, compressão “sem querer” aumenta artificialmente a rigidez.
📌 4️⃣ SEQUÊNCIA SISTEMATIZADA IPUS – TIREOIDE
1️⃣ B-mode completo (tireoide + nódulo)
2️⃣ Classificação TI-RADS do nódulo
3️⃣ Definir melhor plano para elastografia (geralmente transversal)
4️⃣ Elastografia do nódulo (ROI no componente sólido)
5️⃣ Elastografia do parênquima adjacente (controle interno)
6️⃣ Repetir medidas (múltiplas aquisições) e registrar valor representativo
7️⃣ Documentar imagem do mapa (quando SWE) + valores
📌 5️⃣ COMO FAZER – STRAIN (SE)
✔ Evitar compressão excessiva
✔ Usar indicador de qualidade do aparelho (barra/sinal)
✔ Comparar rigidez do nódulo com parênquima adjacente
✔ Se usar strain ratio:
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ROI no nódulo (sólido)
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ROI no parênquima/tecido de referência
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Registrar razão
🧠 Dica: SE é muito dependente do operador (compressão e estabilidade).
📌 6️⃣ COMO FAZER – SWE (pSWE/2D-SWE)
✔ Manter a sonda estável por alguns segundos
✔ ROI pequena/média no componente sólido (evitar áreas císticas/necrose)
✔ Evitar calcificações grosseiras (rigidez “explode”)
✔ Realizar 3–5 medidas e usar mediana (ou média conforme protocolo)
O que registrar
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kPa (rigidez) e/ou m/s
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Mediana + intervalo (se possível)
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Indicador de qualidade (se o aparelho oferece)
🟦 7️⃣ INTERPRETAÇÃO (TIREOIDE) – PRINCÍPIOS
🔵 Nódulos mais rígidos tendem a ser mais suspeitos, mas:
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TI-RADS continua sendo o eixo principal
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Elastografia serve como adjunto, especialmente em nódulos indeterminados
Situações que aumentam falsos positivos (rigidez alta sem malignidade)
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Calcificações (macrocalcificação)
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Fibrose por tireoidite
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Nódulos muito superficiais com compressão
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Nódulos parcialmente císticos (se ROI pega área errada)
Falsos negativos (rigidez baixa em nódulo maligno)
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Lesões pequenas
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Carcinoma folicular (pode ser menos rígido)
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Necrose/cisticidade
✅ CHECKLIST – ELASTOGRAFIA TIREOIDE
☐ Modalidade registrada (SE ou SWE)
☐ B-mode e TI-RADS feitos antes
☐ ROI no componente sólido (sem cisto)
☐ Mínima compressão
☐ Sem deglutição durante aquisição
☐ ≥3 medidas (SWE) ou aquisição estável (SE)
☐ Valores registrados (kPa/m/s ou strain ratio)
☐ Interpretação como ADJUNTO ao TI-RADS
🧠 DICAS AVANÇADAS (TIREOIDE)
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Use elastografia principalmente para refinar risco, não para “diagnosticar” isoladamente.
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Sempre capture imagem do mapa (SWE) mostrando ROI.
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Se o nódulo é muito pequeno, priorize TI-RADS (elasto fica instável).
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Tireoidite difusa pode “endurecer” o parênquima e confundir.
⚠️ ERROS COMUNS (TIREOIDE)
🚫 Não informar técnica/modalidade
🚫 Fazer elastografia sem TI-RADS
🚫 ROI pegando cisto/calcificação
🚫 Pressionar demais
🚫 Medir 1 vez só e concluir
🟦 2) ELASTOGRAFIA DO FÍGADO
📌 1️⃣ PRINCIPAIS INDICAÇÕES
✔ Estadiamento de fibrose (hepatites virais, MASLD/esteatose, álcool)
✔ Monitoramento longitudinal de fibrose
✔ Avaliação de risco (cirrose/complicações)
✔ Triagem/seguimento em doenças crônicas
⚠️ Não substitui avaliação clínica/laboratorial; é um componente do estadiamento.
📌 2️⃣ MODALIDADES
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TE (Transient elastography) (FibroScan – fora do US convencional)
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pSWE / 2D-SWE (integrado ao ultrassom)
🎯 Padrão IPUS: documentar método e unidade (kPa ou m/s).
📌 3️⃣ PREPARO E CONDIÇÕES DE VALIDADE
✔ Jejum 3–4 horas (ideal 4–6h em muitos serviços)
✔ Evitar exercício intenso recente
✔ Registrar se há:
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inflamação ativa (ALT alta)
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colestase
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congestão cardíaca
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ascite
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ingestão alcoólica recente
Esses fatores podem aumentar rigidez sem ser fibrose.
🧠 Dica: “rigidez alta” pode ser inflamação/congestão — contexto é tudo.
📌 4️⃣ TÉCNICA – PONTO CRÍTICO
✔ Transdutor convexo 2–5 MHz
✔ Preferir lobo direito (intercostal)
✔ ROI a 1,5–2,0 cm da cápsula (não muito superficial)
✔ Evitar vasos, vias biliares, lesões focais
✔ Apneia expiratória leve durante aquisição
✔ Realizar 10 medidas válidas (ou conforme protocolo do aparelho)
✔ Usar mediana como valor final (padrão comum)
Indicadores de qualidade
Muitos protocolos usam algo como:
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Taxa de sucesso adequada
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Variabilidade baixa (ex.: IQR/mediana baixo)
(Depende do equipamento; use o que ele oferece.)
📏 5️⃣ O QUE REPORTAR (FÍGADO)
✅ Método (pSWE/2D-SWE/TE)
✅ Unidade (kPa ou m/s)
✅ Local (lobo direito, intercostal)
✅ Número de medidas válidas
✅ Mediana e variabilidade (se disponível)
✅ Limitações (obesidade, janela ruim, ascite, cooperação)
🟦 6️⃣ INTERPRETAÇÃO – FIBROSE (PRINCÍPIOS)
A rigidez correlaciona com estágios de fibrose (F0–F4), mas os cut-offs mudam por:
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etiologia (hepatite B/C, MASLD, álcool)
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método (TE vs SWE)
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fabricante
Faixas usuais (APENAS como referência geral, variar por protocolo)
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Valores baixos: sugerem ausência/leve fibrose
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Valores intermediários: sugerem fibrose significativa
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Valores altos: sugerem cirrose (F4)
🎯 Padrão IPUS: sempre concluir como “compatível com” e sugerir correlação com dados clínicos e laboratoriais, e (se houver) usar a tabela de corte do seu equipamento/serviço.
🟦 7️⃣ ESTEATOSE – COMPLEMENTO (quando disponível)
Alguns sistemas fornecem parâmetro de atenuação (ex.: CAP no FibroScan) ou ferramentas no US para esteatose.
Se disponível, pode integrar como “esteatose leve/moderada/importante”, mas separando de fibrose (rigidez).
✅ CHECKLIST – ELASTOGRAFIA HEPÁTICA
☐ Jejum adequado
☐ Método e unidade registrados
☐ ROI no lobo direito, intercostal
☐ ROI afastada da cápsula (~1,5–2 cm)
☐ Evitar vasos/ductos/lesões
☐ Apneia expiratória leve
☐ Número mínimo de medidas válidas (conforme protocolo)
☐ Mediana registrada + indicador de qualidade/variabilidade
☐ Interpretar com contexto (ALT, colestase, congestão)
🧠 DICAS AVANÇADAS (FÍGADO)
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Se valores muito altos e paciente com ALT muito elevada, considere inflamação como fator.
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Congestão por IC direita pode elevar rigidez — avaliar veias hepáticas/VCI.
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Repetir medidas em outro ponto do lobo direito se variabilidade alta.
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Sempre anotar limitações técnicas (obesidade, costelas, ascite).
⚠️ ERROS COMUNS (FÍGADO)
🚫 Medir muito superficial (próximo da cápsula)
🚫 ROI pegando vaso/biliares
🚫 Poucas medidas e sem qualidade
🚫 Não jejuar
🚫 Concluir “cirrose” apenas por um número sem contexto
🎯 PADRÃO IPUS DE EXCELÊNCIA – ELASTOGRAFIA (TIREOIDE + FÍGADO)
✔ Informar modalidade/método e unidade
✔ Técnica correta (ROI, compressão, apneia)
✔ Múltiplas medidas e controle de qualidade
✔ Interpretação como complemento (TI-RADS no pescoço; clínica/labs no fígado)
✔ Conclusão objetiva + limitações