Tabelas de Doppler Arterial e Venoso


DOPPLER ARTERIAL DE MEMBROS – AVALIAÇÃO COMPLETA

1. PADRÃO NORMAL (TRIFÁSICO)

🔸 Morfologia espectral

  • Pico sistólico agudo

  • Fluxo reverso breve (fase diastólica precoce)

  • Fluxo anterógrado tardio

👉 Padrão trifásico = normalidade arterial periférica


🔸 Índices normais

Parâmetro Valor
PSV variável por segmento
RI 0,7–1,0
PI elevado
Fluxo pulsátil de alta resistência

🔹 2. PADRÕES PATOLÓGICOS

🔸 Bifásico

  • Perda da fase reversa
    👉 Pode ser normal em idosos ou início de doença


🔸 Monofásico

  • Fluxo contínuo

  • Baixa resistência
    👉 Sugere estenose proximal significativa


🔸 Tardus-parvus

  • Pico sistólico arredondado

  • Aceleração lenta
    👉 Estenose proximal grave


🔹 3. CRITÉRIOS DE ESTENOSE (HEMODINÂMICO)

🔸 Relação de velocidade (mais importante)

Grau Relação PSV
Normal
<50% < 2x
50–69% 2–4x
≥70% > 4x
Oclusão ausência de fluxo

🔸 Velocidades absolutas (referência geral)

  • PSV muito elevada → estenose

  • Queda distal → pós-estenótica


🔹 4. ACHADOS ASSOCIADOS À ESTENOSE

  • Turbulência pós-estenótica

  • Alargamento espectral

  • Redução distal do fluxo

  • Placa aterosclerótica visível


🔹 5. OCLUSÃO ARTERIAL

🔸 Critérios

  • Ausência de fluxo ao Doppler

  • Material ecogênico intraluminal

  • Colaterais presentes

  • Fluxo distal reduzido ou ausente


🔹 6. AVALIAÇÃO POR SEGMENTO 

🔸 Aorta e ilíacas

  • Fluxo de alta resistência

  • Avaliar aneurisma e estenose


🔸 Femoral comum

  • Referência hemodinâmica


🔸 Femoral superficial

  • Local mais comum de estenose


🔸 Poplítea

  • Avaliar aneurisma


🔸 Tibiais

  • Fluxo pode ser mais baixo

  • Importante em doença distal


🔹 7. PLACAS ATEROSCLERÓTICAS

🔸 Características

  • Hipoecoicas → instáveis

  • Hiperecogênicas → calcificadas

  • Irregulares → maior risco


🔹 8. ÍNDICES IMPORTANTES

🔸 Índice tornozelo-braquial (ITB)

Valor Interpretação
1,0–1,4 Normal
0,9–1,0 Limítrofe
0,5–0,9 Doença leve/moderada
<0,5 Grave

🔹 9. PADRÕES CLÍNICOS

🔸 Doença leve

  • Bifásico

  • Pequeno aumento de velocidade


🔸 Doença moderada

  • Aumento de PSV

  • Turbulência


🔸 Doença grave

  • Monofásico

  • Tardus-parvus

  • Fluxo distal reduzido


🔹 10. ARMADILHAS IMPORTANTES

  • Calcificação → sombra acústica

  • Fluxo lento → falso negativo

  • Ângulo Doppler inadequado (>60°)

  • Comparar sempre com segmento proximal


🔹 11. O QUE NÃO PODE FALTAR NO LAUDO

👉 Descrever:

  • Presença de placas

  • Grau de estenose

  • Velocidade (PSV)

  • Relação de velocidades

  • Padrão espectral

  • Repercussão distal


🔹 12. FRASES PRONTAS (PADRÃO IPUS)

🔸 Normal

“Fluxo arterial com padrão trifásico, sem evidência de estenoses hemodinamicamente significativas.”


🔸 Estenose moderada

“Evidência de estenose arterial com aumento da velocidade sistólica e relação de velocidades compatível com grau moderado (50–69%).”


🔸 Estenose grave

“Estenose significativa (>70%), com elevação importante da velocidade sistólica e alterações hemodinâmicas distais.”


🔸 Oclusão

“Ausência de fluxo detectável no segmento avaliado, compatível com oclusão arterial.”


DOPPLER VENOSO – VARIZES / INSUFICIÊNCIA VENOSA CRÔNICA


🔹 1. DEFINIÇÃO DE REFLUXO (CRITÉRIO PRINCIPAL)

Segmento Tempo de refluxo patológico
Veias superficiais ≥ 0,5 s
Veias profundas ≥ 1,0 s
Perfurantes ≥ 0,5 s

🔹 2. MANOBRAS DE AVALIAÇÃO

✔️ Técnicas utilizadas

  • Compressão distal

  • Valsalva

  • Liberação súbita da compressão


✔️ Interpretação

  • Fluxo retrógrado sustentado → insuficiência

  • Refluxo breve → fisiológico


🔹 3. PRINCIPAIS VEIAS AVALIADAS

Sistema superficial

  • Veia safena magna (VSM)

  • Veia safena parva (VSP)

  • Ramos tributários


Sistema profundo

  • Femoral comum

  • Femoral superficial

  • Poplítea


Perfurantes

  • Conexão entre sistemas superficial e profundo


🔹 4. CRITÉRIOS DE INSUFICIÊNCIA (POR SEGMENTO)

🔸 Safena magna

  • Diâmetro > 4–5 mm (sugestivo)

  • Refluxo ≥ 0,5 s

  • Junção safeno-femoral incompetente


🔸 Safena parva

  • Refluxo ≥ 0,5 s

  • Avaliar junção safeno-poplítea


🔸 Veias profundas

  • Refluxo ≥ 1 s

  • Associar com história de TVP


🔸 Perfurantes

  • Diâmetro > 3,5 mm

  • Refluxo ≥ 0,5 s


🔹 5. CLASSIFICAÇÃO HEMODINÂMICA (SIMPLIFICADA)

Tipo Característica
Primária Insuficiência valvar
Secundária Pós-trombótica
Mista Ambos

🔹 6. PADRÕES DE REFLUXO

  • Ostial (junção safeno-femoral)

  • Segmentar

  • Difuso

  • Perfurante dominante


🔹 7. ACHADOS ASSOCIADOS

  • Veias tortuosas dilatadas

  • Varizes visíveis

  • Edema subcutâneo

  • Dermatite ocre

  • Úlceras venosas


🔹 8. CLASSIFICAÇÃO CEAP (RESUMIDA)

Classe Descrição
C0 Sem sinais
C1 Telangiectasias
C2 Varizes
C3 Edema
C4 Alterações cutâneas
C5 Úlcera cicatrizada
C6 Úlcera ativa

🔹 9. O QUE NÃO ESQUECER NO LAUDO

👉 Sempre descrever:

  • Presença de refluxo

  • Tempo de refluxo

  • Localização (segmento)

  • Diâmetro venoso

  • Sistema envolvido (superficial/profundo)

  • Perfurantes insuficientes


🔹 10. ARMADILHAS (MUITO IMPORTANTE)

  • Refluxo fisiológico curto (<0,5 s)

  • Compressão inadequada

  • Paciente em decúbito (ideal: ortostase)

  • Não avaliar junções


🔹 11. FRASE PRONTA DE LAUDO (IPUS STYLE)

👉 Normal:
“Sistema venoso superficial e profundo pérvio, compressível, sem evidência de refluxo patológico.”


👉 Insuficiência safena:
“Presença de refluxo patológico na veia safena magna, com duração superior a 0,5 segundos, associado à dilatação venosa.”


👉 Perfurante:
“Identificada veia perfurante insuficiente, com diâmetro aumentado e refluxo patológico.”


TVP – DOPPLER VENOSO (PROTOCOLO COMPLETO AVANÇADO)

🔹 1. CRITÉRIO DIAGNÓSTICO PRINCIPAL (REGRA DE OURO)

👉 Veia NÃO compressível = TVP até prova em contrário

  • Compressão com transdutor a cada 2–3 cm

  • Deve colabar completamente

  • Falha na compressão = diagnóstico mais confiável


🔹 2. CRITÉRIOS COMPLEMENTARES

Achado Interpretação
Trombo intraluminal Confirma
Ausência de fluxo Oclusão
Redução de fluxo Parcial
Dilatação venosa TVP aguda
Veia rígida/retraída TVP crônica

🔹 3. DOPPLER ESPECTRAL (HEMODINÂMICA)

🔸 Normal

  • Fluxo fásico com respiração

  • Aumento com compressão distal


🔸 Patológico

  • Fluxo contínuo (perda de fasicidade) → obstrução proximal

  • Ausência de resposta à compressão distal → obstrução

  • Redução global do fluxo → TVP


🔹 4. CLASSIFICAÇÃO TEMPORAL (MUITO IMPORTANTE)

🔸 TVP AGUDA

Achado Característica
Veia Dilatada
Trombo Hipoecoico
Compressibilidade Ausente
Aderência Baixa
Doppler Fluxo reduzido/ausente

🔸 TVP SUBAGUDA

  • Trombo mais ecogênico

  • Início de organização


🔸 TVP CRÔNICA

Achado Característica
Veia Retraída
Trombo Hiperecogênico
Compressibilidade Parcial
Recanalização Presente
Doppler Fluxo irregular

🔹 5. LOCALIZAÇÃO (IMPACTO CLÍNICO)

🔸 TVP PROXIMAL (GRAVE)

  • Femoral comum

  • Femoral

  • Poplítea

👉 Maior risco de TEP


🔸 TVP DISTAL

  • Tibiais

  • Fibulares

👉 Menor risco, mas pode evoluir


🔹 6. EXTENSÃO

  • Segmentar

  • Multissegmentar

  • Oclusiva

  • Parcial


🔹 7. SINAIS INDIRETOS

  • Edema subcutâneo

  • Veias colaterais

  • Assimetria de fluxo entre membros


🔹 8. DIFERENCIAR DE OUTROS QUADROS

Condição Diferença
Insuficiência venosa Refluxo, não trombo
Linfedema Sem alteração venosa
Cisto de Baker roto Líquido intermuscular

🔹 9. ARMADILHAS IMPORTANTES

  • Compressão inadequada (erro mais comum)

  • Trombos pequenos em panturrilha

  • Fluxo lento simulando trombo

  • Veias duplicadas


🔹 10. PROTOCOLO DE EXAME (PADRÃO IPUS)

👉 Avaliar obrigatoriamente:

  • Femoral comum

  • Femoral superficial

  • Poplítea

👉 + opcional:

  • Tibiais

  • Fibulares


🔹 11. CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA (RESUMIDA)

Tipo Importância
Proximal Alta gravidade
Distal Monitorar
Recorrente Risco elevado

🔹 12. O QUE NÃO PODE FALTAR NO LAUDO

👉 Sempre descrever:

  • Localização

  • Extensão

  • Compressibilidade

  • Grau (oclusivo/parcial)

  • Fase (aguda/crônica)

  • Repercussão hemodinâmica


🔹 13. FRASES PRONTAS (PADRÃO IPUS)

🔸 Normal

“Sistema venoso profundo pérvio e compressível, sem evidência de trombose.”


🔸 TVP aguda

“Veia não compressível, dilatada, com conteúdo hipoecoico intraluminal, compatível com trombose venosa profunda aguda.”


🔸 TVP crônica

“Presença de material ecogênico intraluminal, com redução do calibre venoso e sinais de recanalização, compatível com trombose crônica.”


🔸 Parcial

“Trombo parcial com fluxo residual ao Doppler.”