DOPPLER PENIANO


📌 1️⃣ PRINCIPAIS INDICAÇÕES

✔ Investigação de disfunção erétil (arteriogênica vs veno-oclusiva)
✔ Suspeita de doença de Peyronie (placas/fibrose)
✔ Avaliação pós-trauma peniano/perineal (suspeita de lesão arterial)
✔ Avaliação pós-cirurgias/revascularização (quando aplicável)
✔ Priapismo (diferenciar baixo vs alto fluxo)
✔ Dor peniana/curvatura com suspeita de alterações estruturais


📌 2️⃣ PREPARO E TÉCNICA

Transdutor: linear alta frequência (12–18 MHz)
Posição: decúbito dorsal, pênis em posição confortável sobre abdome, com gel abundante
Doppler: amostra pequena, PRF ajustado para velocidades altas após estímulo, ângulo ≤ 60° (correção angular obrigatória)

🧠 Dica: excesso de compressão com o transdutor pode alterar o calibre/fluxo — encostar leve.


📌 3️⃣ ANATOMIA ULTRASSONOGRÁFICA (o que identificar)

✔ Corpos cavernosos (direito e esquerdo)
✔ Corpo esponjoso/uretra (anterior)
✔ Túnica albugínea (contínua e regular)
✔ Artérias cavernosas (uma em cada corpo cavernoso)
✔ Veia dorsal profunda (quando visível) / drenagem venosa (indireta via espectro)


🟦 4️⃣ SEQUÊNCIA SISTEMATIZADA IPUS (ORDEM FIXA)

A) Fase basal (pré-estímulo)

1️⃣ B-mode do pênis em 2 planos (longitudinal/transversal)
2️⃣ Avaliar túnica (espessamentos/placas/calcificações)
3️⃣ Identificar artéria cavernosa direita e esquerda
4️⃣ Doppler espectral basal bilateral:

  • PSV (pico sistólico)

  • EDV (diastólica final)

  • RI (índice de resistência)

B) Fase dinâmica (pós-estímulo) – seriada

5️⃣ Repetir Doppler espectral em tempos seriados (padrão: a cada ~5 min até 20–25 min, ou conforme protocolo do serviço)
6️⃣ Documentar sempre bilateralmente (direita e esquerda)

📌 Ponto crítico: o diagnóstico depende do comportamento temporal do EDV/RI, não só de um número isolado.


🟦 5️⃣ O QUE MEDIR (PARÂMETROS HEMODINÂMICOS)

✅ Parâmetros obrigatórios (cada lado)

  • PSV: Velocidade sistólica pico (cm/s)

  • EDV: Velocidade diastólica final (cm/s)

  • RI = (PSV − EDV) ÷ PSV

  • Observação do espectro: alargamento, turbulência, “notch”, assimetria


🟦 6️⃣ INTERPRETAÇÃO (PADRÕES DIAGNÓSTICOS)

🟥 A) Insuficiência arterial (arteriogênica)

Padrão: PSV baixo e subida inadequada pós-estímulo

  • Sugere incapacidade de aumento do influxo arterial

📌 Achados adicionais:

  • Assimetria importante entre lados pode sugerir lesão arterial unilateral (pós-trauma)


🟦 B) Disfunção veno-oclusiva (fuga venosa)

Padrão: PSV pode ser adequado, mas EDV persiste elevado no tempo, com RI baixo.

  • Ou seja: entra sangue, mas não “mantém” (mecanismo veno-oclusivo falha)

📌 Marcador-chave:

  • EDV que não cai para próximo de zero nas fases tardias do exame (interpretação sempre com protocolo e contexto)


🟩 C) Resposta hemodinâmica normal

Padrão: aumento apropriado do PSV + queda progressiva do EDV (tendendo a 0) + RI alto nas fases tardias.


🟨 D) Priapismo (quando for a indicação)

Priapismo isquêmico (baixo fluxo)

  • Fluxo cavernoso muito reduzido/ausente

  • Situação de urgência clínica

Priapismo não isquêmico (alto fluxo – geralmente pós-trauma)

  • Fluxo aumentado, baixa resistência

  • Pode haver fístula/“jet” turbulento


🟦 7️⃣ DOENÇA DE PEYRONIE (INCLUSO NO PROTOCOLO)

📌 B-mode (essencial)

✔ Placas hiperecogênicas na túnica albugínea
✔ Calcificações e sombra acústica
✔ Medir placa (maior eixo) e descrever localização (dorsal, ventral, lateral; terço proximal/médio/distal)

🎨 Doppler (complementar)

✔ Avaliar repercussão hemodinâmica (quando houver queixa associada)
✔ Procurar neovascularização periférica (pode ocorrer em fase inflamatória)


✅ CHECKLIST COMPLETO – DOPPLER PENIANO

🔧 Técnica

☐ Linear 12–18 MHz
☐ Ângulo ≤ 60° (com correção)
☐ Doppler bilateral (direito e esquerdo)
☐ Baixa compressão do transdutor

🧠 B-mode

☐ Túnica albugínea íntegra
☐ Placas/fibrose/calcificações pesquisadas
☐ Corpos cavernosos avaliados
☐ Assimetria estrutural?

📊 Doppler basal

☐ PSV/EDV/RI basal em ambos os lados documentados

⏱️ Doppler seriado pós-estímulo

☐ Medidas seriadas registradas
☐ PSV máximo (pico) documentado
☐ EDV tardio documentado
☐ RI tardio documentado
☐ Assimetria entre lados descrita

🧾 Conclusão

☐ Padrão: normal vs insuficiência arterial vs fuga venosa vs indeterminado
☐ Achados associados: Peyronie / sinais pós-trauma / priapismo (se aplicável)


🧠 DICAS AVANÇADAS (IPUS)

  1. Não confie em um único tempo: a diferença entre normal e fuga venosa está no EDV tardio.

  2. Bilateral sempre: diferença direita/esquerda pode mudar totalmente a hipótese (trauma, doença focal).

  3. Ajuste o Doppler para não “estourar” o espectro no pico sistólico (PRF/escala adequados).

  4. Descreva túnica albugínea com cuidado: placas pequenas mudam conduta em Peyronie.

  5. Se o exame for “limitado” por resposta inadequada, documente isso claramente (melhor do que inferir diagnóstico).


⚠️ ERROS COMUNS

🚫 Não corrigir ângulo (erro grande de PSV)
🚫 Não fazer medidas seriadas (perde diagnóstico de fuga venosa)
🚫 Compressão excessiva com transdutor (altera fluxo)
🚫 Descrever só “fluxo presente” sem PSV/EDV/RI
🚫 Não avaliar túnica/placas (perde Peyronie)


🎯 PADRÃO IPUS DE EXCELÊNCIA – DOPPLER PENIANO

✔ B-mode completo (túnica + corpos cavernosos)
✔ Doppler bilateral basal + seriado
✔ PSV/EDV/RI sempre documentados
✔ Interpretação baseada em dinâmica temporal
✔ Conclusão objetiva: arteriogênico / veno-oclusivo / normal / indeterminado (+ achados associados)