Ultrassonografia da Bolsa Escrotal – Guia Completo
🔹 1. PROTOCOLO DE EXAME (PADRÃO IPUS)
🔸 Técnica
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Transdutor linear alta frequência (7–15 MHz)
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Avaliar ambos os lados comparativamente
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Planos longitudinal e transversal
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Sempre incluir Doppler color e espectral
🔸 OBRIGATÓRIO avaliar
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Testículos
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Epidídimos
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Cordão espermático
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Túnicas
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Conteúdo escrotal
🔹 2. ANATOMIA NORMAL
🔸 Testículo
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Ecotextura homogênea
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Mediastino visível
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Volume: 15–25 ml
🔸 Epidídimo
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Cabeça: mais volumosa
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Corpo/cauda: mais finos
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Ecogenicidade semelhante ou levemente hipoecoica
🔸 Doppler normal
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Fluxo intratesticular presente e simétrico
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Baixa resistência (RI ~0,5–0,7)
🔹 3. PATOLOGIAS TESTICULARES
A. TORÇÃO TESTICULAR (URGÊNCIA)
🔸 Critérios principais
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Ausência de fluxo
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Redução de fluxo (fase precoce)
🔸 Achados associados
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Aumento do volume
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Hipoecogenicidade tardia
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Hidrocele reacional
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Espessamento de túnicas
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Sinal do “whirlpool”
🔸 IMPORTANTE
👉 Fluxo presente NÃO exclui torção inicial
B. ORQUITE / ORQUIEPIDIDIMITE
🔸 Testículo
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Aumentado
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Hipoecoico
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Hipervascularização intensa
🔸 Epidídimo
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Espessado
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Hiperêmico
🔸 Associados
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Hidrocele
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Espessamento escrotal
C. INFARTO TESTICULAR
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Área avascular
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Hipoecoica
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Pode simular tumor
D. TUMORES TESTICULARES
🔸 Características gerais
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Lesão sólida intratesticular
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Hipoecoica
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Vascularizada
🔸 Sinais suspeitos
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Heterogeneidade
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Microcalcificações
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Irregularidade
🔸 Regra prática
👉 Lesão sólida intratesticular = maligno até prova contrária
🔹 4. LESÕES EXTRATESTICULARES
A. HIDROCELE
🔸 Características
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Líquido anecoico
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Pode ter debris
🔸 Complicada
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Septações
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Ecos internos
B. VARICOCELE
🔸 Critérios
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Veias > 2–3 mm
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Refluxo ao Valsalva
🔸 Lado esquerdo mais comum
🔸 Classificação (simplificada)
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Grau leve → apenas Valsalva
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Moderado → espontâneo
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Grave → visível
C. ESPERMATOCELE / CISTO EPIDIDIMÁRIO
🔸 Características
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Cístico
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Região da cabeça do epidídimo
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Conteúdo claro ou com ecos finos
D. HÉRNIA INGUINOESCROTAL
🔸 Achados
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Conteúdo intestinal ou gordura
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Movimento com Valsalva
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Peristalse (se alça)
E. HEMATOCELE
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Conteúdo complexo
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Ecos internos
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História de trauma
🔹 5. CORDÃO ESPERMÁTICO
🔸 Avaliar
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Espessamento
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Estruturas vasculares
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Sinal de torção
🔹 6. DOPPLER – INTERPRETAÇÃO CLÍNICA
🔸 Fluxo reduzido/ausente
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Torção
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Infarto
🔸 Fluxo aumentado
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Infecção
🔸 Assimetria
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Sempre comparar lados
🔹 7. ACHADOS IMPORTANTES ADICIONAIS
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Microlitíase testicular (pontos hiperecogênicos)
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Calcificações
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Atrofia testicular
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Espessamento escrotal
🔹 8. CLASSIFICAÇÃO PRÁTICA (IPUS)
🔸 Emergência
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Torção
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Estrangulamento
🔸 Inflamatório
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Orquite
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Epididimite
🔸 Neoplásico
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Tumores
🔸 Benigno
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Hidrocele
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Varicocele
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Cistos
🔹 9. ARMADILHAS IMPORTANTES
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Fluxo presente ≠ exclui torção
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Lesão extratesticular raramente maligna
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Microlitíase ≠ câncer, mas associada
🔹 10. O QUE NÃO PODE FALTAR NO LAUDO
👉 Sempre descrever:
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Volume testicular
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Ecotextura
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Lesões (localização + tamanho)
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Epidídimo
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Doppler
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Conteúdo escrotal
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Presença de varicocele/hidrocele
🔹 11. FRASES PRONTAS (PADRÃO IPUS)
🔸 Normal
“Testículos com dimensões e ecotextura preservadas, fluxo vascular simétrico ao Doppler.”
🔸 Torção
“Ausência de fluxo vascular no testículo avaliado, compatível com torção testicular.”
🔸 Orquite
“Aumento volumétrico testicular com hiperemia ao Doppler, compatível com processo inflamatório.”
🔸 Tumor
“Lesão sólida intratesticular, hipoecoica e vascularizada, achado suspeito para neoplasia.”
🔸 Varicocele
“Dilatação do plexo pampiniforme com refluxo ao Valsalva.”

